segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A solidão e o seu desgaste

 

Freqüentador da solidão, às vezes

Jogava ao ar um desespero ou outro,

Mas guardava os menores objetos

Onde a vida morava e o amor nascia.

Era uma carga enorme e sem sentido,

Um silêncio magoado e impermeável...

A solidão povoada de instrumentos,

Roubando espaço à andeja liberdade.

Mas, hoje, é outro que nem lembra aquele

Passeia pelos campos e os despreza

E porque sabe com certeza clara,

O princípio e o fim da coisa amada,

Guarda pouco da vida e o que retém

É só pelo impossível de eximir-se

(Carlos Pena Filho)

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