quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quando nada mais resta

"Meu espírito ainda se apega à imagem da pessoa

amada. Continuo falando com ela, e ela continua falando comigo. De repente me

dou conta: nem sei se minha esposa ainda vive! Naquele momento fico sabendo que

o amor pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa. Ele está ligado a tal

ponto à essência espiritual da pessoa amada, a seu "ser assim" (nas palavras dos

filósofos) que a sua "presença" e seu "estar aqui comigo" podem ser reais sem sua

existência física em si e independentemente de seu estar com vida. Eu não sabia,

nem poderia ou precisaria saber, se a pessoa amada estava viva. Durante todo o

período do campo de concentração não se podia escrever nem receber cartas. Mas

isto naquele momento de certa forma não tinha importância. As circunstâncias

externas não conseguiam mais interferir no meu amor, na minha lembrança e na

contemplação amorosa da imagem espiritual da pessoa amada. Se naquela ocasião

tivesse sabido: minha esposa está morta - acho que este conhecimento não teria

perturbado meu enlevo interior naquela contemplação amorosa. O diálogo intelectual

teria sido intenso e gratificante em igual escala. Naquele momento me apercebo da

verdade: "põe-me como selo sobre o teu coração... porque o amor é forte como a

morte." (Cântico dos Cânticos 8.6)." (Em busca de sentido-Viktor Frakl pg.25, 26)

Bom, estava lendo o livro de Viktor Frankl, um grande autor, psiquiatra e psicólogo que viveu por muito tempo em campos de concentração, e neste livro(Em busca de sentido), ele conta sua experiência, de forma intensa, mas sem se mostrar como "coitado" mas sim mostra que atraves do sofrimento(e outros motivos) muitas vezes conseguimos sentir,melhorar e conquistar coisas que antes não conseguiriamos, e atraves desse autor, pretendo destrinchar alguns problemas enfrentados por nossa sociedade, ou a maneira com a qual lidamos com essas questões.Estou muito impolgada com esse trabalho, procurando entender melhor essa visão, conhecer mais sobre esse e outros assuntos, para quem sabe até mudar meu pensamento e o que pretendo procurar.Sempre fui muito encantada com os sentimentos que podemos ter, e principalmente quando o temos, talvez por experiências que ja vivi, passei a observar muito certas coisas, e por isso não posso me arrepender, nem julgar ninguém.Bom, ja estou enrolando, tenho que assumir que não sei escrever bem, e sempre fujo do assunto rs.Coloquei esse pequeno trecho do livro porque achei fantástico, principalmente no momento em que ele, tem essa percepção e tem esse tipo de sentimento tão bonito como o amor. Espero que possam dar uma lida nesse pequeno capítulo, e assim, espero que possam entender do que estou falando e possam sentir a esperança e até mesmo pensar no valor que damos às coisas depois que perdemos.

Um comentário:

  1. Amei seu texto, de muita qualidade escrita e ideológica, o trecho, muito bem escrito pelo autor - sem querer, assisti hoje mesmo um filme que chama "Se nada mais der certo", quase o título da sua postagem, "Quando nada mais resta", é brasileiro, vale a pena ver... Tá melhorando a cada dia heiN? isso aÍ! beijão.

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