A brusca poesia da minha mulher
Composição: Vinicius de Moraes
A vinda da mulher amada, de cuja fragrânciajá me chega o rastro.É ela uma menina, parece de plumas E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos ventos Empós meu canto. É ela A menina.Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarinaQue para mim caminha em pontas, os braços suplicantesDo meu amor em solidão. Sim, eis que os arautosDa descrença começam a encapuçar-se em negros mantosPara cantar seus réquiens e os falsos profetasA ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.Mas nada a detém; ela avança, rigorosaEm rodopios nítidosCriando vácuos onde morrem as aves.Seu corpo, pouco a poucoAbre-se em pétalas... Ei-la que vem vindoComo uma escura rosa voltejanteSurgida de um jardim imenso em trevas.Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!Alvoroçai-me, auroras nascituras!Eis que chega de longe, como a estrelaDe longe, como o tempo A minha amada última!
Nunca tive a oportunidade de ler esse poema, lindo lindo lindo! ^^
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